A TRAJETÓRIA DA PASTORAL DA SAÚDE NA IMPLANTAÇÃO DA FITOTERAPIA NA REGIÃO METROPOLITANA DO ESPÍRITO SANTO
Nome: HENRIQUETA TEREZA DO SACRAMENTO
Data de publicação: 12/09/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| EUZENEIA CARLOS | Examinador Interno |
| FABIANA GONRING XAVIER | Coorientador |
| MARLUCE MECHELLI DE SIQUEIRA | Presidente |
| MARY ANNE MEDEIROS BANDEIRA | Examinador Externo |
| OSVALDO MARTINS DE OLIVEIRA | Examinador Externo |
Páginas
Resumo: A Pastoral da Saúde (PS) é um organização cívico-religiosa que
desenvolve ações de promoção e educação em saúde, utilizando a fitoterapia e
plantas medicinais (PM) no cuidado em saúde da população, por meio da
implantação de farmácias comunitárias dentro ou próximas às paróquias. As plantas
medicinais são um recurso terapêutico na comunidade e representam uma das
primeiras formas de cuidado utilizadas pelas populações no mundo inteiro, relacionadas à tradição e cultura. Objetivo: Compreender a trajetória da Pastoral da
saúde para a implantação da fitoterapia em municípios da Região Metropolitana do
Espírito Santo (ES). Metodologia: A pesquisa utilizou abordagem metodológica
combinada, integrando revisão bibliográfica e pesquisa de campo. A análise
documental explorou as publicações da Arquidiocese de Vitória, da CNBB e
Vaticano no período de 1990 a 2020 e a revisão da literatura buscou a produção
científica brasileira no período de 2006-2024. Realizou-se um ensaio teórico- conceitual, ancorado na “ecologia de saberes” de Boaventura de Souza Santos e na
teoria da complexidade de Morin, articulando reflexões sobre a participação da
mulher nas práticas de cuidado da PS e as políticas nacionais relacionadas, tais
como a de Promoção da Saúde, de Plantas Medicinais e Medicamentos
Fitoterápicos (PNPMMF), e de Práticas Integrativas e Complementares, além das
estratégias da Organização Mundial de Saúde (OMS). A pesquisa empírica
qualitativa foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com oito agentes
da pastoral da saúde (AgPS), em sete municípios da Região Metropolitana do ES. Os dados foram analisados de acordo com a análise de conteúdo de Bardin. Resultados: O trabalho das AgPS, em sua maioria mulheres católicas que apoiam
os párocos na Igreja, está enraizado no contexto estudado e as dificuldades são
vencidas pelo apoio que recebem da própria comunidade. Para o cuidado em saúde, recorrem a modalidades diferentes de atendimento, de modos de preparo e de oferta
dos fitoterápicos, com autonomia para decisão quanto ao modelo adotado. Porém, a
falta de articulação com o Sistema Único de Saúde dificulta a divulgação do trabalho
e mantém a invisibilização da fitoterapia. Apesar da ampla atuação e experiência
acumulada, há lacuna significativa na produção científica sobre a eficácia e
segurança das espécies utilizadas pela PS, apontando a necessidade da inclusão do
tema fitoterapia nos cursos de graduação e pós-graduação e nas capacitações dos
profissionais de saúde. A fitoterapia praticada pelas AgPS une ciência, tradição e
prática social, como estratégia de resiliência comunitária e autonomia em saúde, e
reconhece a interdependência entre ser humano, planta e espiritualidade. Entretanto, há que se refletir com base na epistemologia da complexidade e ecologia dos
saberes que a prática promovida pelas AgPS pode ser denominada de Fitoterapia
Comunitária Integrativa, ou seja, uma prática de cuidado em saúde que articula
saberes populares e científicos, sociedade e natureza, promovendo a autonomia e o
vínculo comunitário por meio do uso consciente e contextualizado das plantas
medicinais, em uma perspectiva ecológica, ética e integradora.
