PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DE UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE E USUÁRIOS DE DROGAS
Nome: CARLA NEVES MARSON
Data de publicação: 01/08/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| MARCOS VINICIUS FERREIRA DOS SANTOS | Coorientador |
| MARIA ELIZABETH BARROS DE BARROS | Examinador Interno |
| MARLUCE MECHELLI DE SIQUEIRA | Presidente |
| PABLO ORNELAS ROSA | Examinador Externo |
Resumo: Introdução: O acesso e a atenção à saúde das pessoas privadas de liberdade é
uma questão delicada, devido às condições estruturais precárias dos
estabelecimentos penais, e complexo, por abranger diversos atores e
especificidades do cárcere. Analisar esta temática significa compreender o contexto
de desigualdade e vulnerabilidade dessa população e como políticas públicas
afetam estas pessoas. Em relação aos usuários de drogas, nos últimos anos temos
vivenciado vários movimentos de avanços e retrocessos relacionados à Política
Nacional sobre drogas. Dessa forma, ainda há desafios no cuidado às pessoas que
usam substâncias psicoativas, que vai além da saúde e assistência social, envolvendo também justiça e segurança pública, áreas que exercem forte influência
sobre as práticas de cuidado adotadas atualmente. Objetivo: Compreender a
percepção dos profissionais de saúde que atuam em um hospital universitário a
respeito da pessoa privada de liberdade e o usuário de álcool e outras drogas, analisando fatores facilitadores e dificultadores na oferta de cuidados a essas
pessoas. Metodologia: Trata-se de um estudo exploratório, descritivo, com
abordagem qualitativa. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com dezoito
profissionais de saúde, de ambos os sexos e especialidades variadas de um hospital
universitário, nos serviços ambulatoriais, cirúrgico e maternidade. As entrevistas
foram gravadas, transcritas e organizadas de acordo com a análise de conteúdo de
Bardin. Utilizou-se o referencial teórico da vulnerabilidade em saúde e direitos
humanos que analisa as dimensões individuais, sociais e pragmáticas e o quanto e
como os governos regulamentam e efetivam esses direitos. Resultados: As
relações no processo saúde-doença-cuidado, embora consolidadas na rede de
serviços e nas rotinas de trabalho, ainda são sensíveis às condições estruturais da
instituição e às especificidades dos sujeitos. Estigmas e discriminação comparecem, como marcadores sociais da diferença, de gênero, raça, classe social e suas
intersecções associadas ao adoecimento. Os profissionais assumem limitações no
trabalho, como despreparo profissional, falta de conhecimento específico e manejo
do paciente. Para melhorias apontam atuação multidisciplinar, articulação com a
rede de serviços e capacitação da equipe. Conclusão: Apesar dos avanços nos
cuidados às pessoas privadas de liberdade e às pessoas com uso de drogas, as
ações em saúde devem trabalhar para reduzir as vulnerabilidades, sem deixar de
lado o combate às desigualdades sociais e a proteção dos direitos humanos. Faz-se
necessário superar as barreiras institucionais, pessoais, a abordagem biológica na
relação saúde-doença e incluir a participação social para consolidar uma perspectiva
que promova e potencialize a autonomia dos sujeitos e ampliem sua capacidade de
viver com dignidade.
