DESVELANDO O CONTEXTO DE VIDA DE CRIANÇAS REFUGIADAS NO ESPÍRITO SANTO: UMA ABORDAGEM CRIATIVA E SENSÍVEL

Nome: SUZANA ANTONIO

Data de publicação: 12/12/2025

Resumo: A crise migratória é um fenômeno antigo, mas que, nos últimos tempos, tem se
tornado uma das principais preocupações globais, levando milhões de pessoas a
buscarem melhores condições de vida e proteção contra perseguições políticas ou
religiosas, conflitos armados, desastres naturais e outros fatores, incluindo a
reunificação familiar. Crianças e adolescentes enfrentam desafios únicos ao buscar
refúgio, como a falta de acesso a serviços essenciais, separação familiar, barreiras
linguísticas, exploração, violência e abuso, em virtude de sua vulnerabilidade. Dessa
forma, é essencial compreender o contexto de vida dessas crianças, levando em conta
suas múltiplas dimensões. Considerando tais aspectos, este estudo teve como o
objetivo analisar o contexto de vida das crianças refugiadas e solicitantes de refúgio
no Espírito Santo, a partir de suas próprias percepções; compreendendo suas
condições de vida; descrevendo suas trajetórias migratórias; e investigando suas
perspectivas em relação ao futuro. A pesquisa foi conduzida sob a perspectiva
histórico-cultural, fundamentada nas contribuições de Lev S. Vygotsky sobre o
desenvolvimento humano e a importância das interações sociais e culturais na
constituição dos sujeitos. Adotou-se uma abordagem qualitativa, desenvolvida a partir
do Método Criativo e Sensível, utilizando a dinâmica do Almanaque como estratégia
para favorecer a expressão das crianças e o compartilhamento de experiências.
Participaram do estudo dez crianças refugiadas venezuelanas que vivem no estado
do Espírito Santo. A geração dos dados ocorreu entre outubro de 2024 e janeiro de
2025, após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa desta universidade, e foi
conduzida em conformidade com a Resolução no 466/12 do Conselho Nacional de
Saúde. Os dados foram tratados segundo a Análise de Conteúdo, na modalidade
temática, proposta por Bardin. Os resultados evidenciaram o contexto de vida das
crianças refugiadas no Espírito Santo, destacando que o aprendizado do português,
aliado à preservação da língua materna, mostrou-se fundamental para o
pertencimento e a mediação cultural. As experiências com moradia, alimentação e
saúde expressaram dimensões de segurança, identidade e cuidado, enquanto a
escola se destacou como espaço de socialização e aprendizagem, ainda que marcada
por desafios, como o preconceito e o bullying. As práticas de lazer, como brincadeiras,
atividades extracurriculares e uso de tecnologias, assim como as práticas religiosas e
as relações interpessoais com familiares, amigos, vizinhos e redes de suporte,
revelaram-se fundamentais para a convivência e o apoio emocional. As memórias da
vida na Venezuela e o sentimento de saudade revelaram a continuidade de vínculos

familiares e culturais, preservados à distância. As trajetórias migratórias mostraram-
se permeadas por rupturas, medos e adaptações, mas também por solidariedade e

reconstrução. As perspectivas de futuro expressaram sonhos e esperanças que
atravessam fronteiras, revelando tanto o desejo de permanecer no Brasil quanto o de
retornar à Venezuela, mantendo vivos os laços afetivos e culturais com o país de
origem. Portanto, compreender o contexto de vida dessas crianças requer escutá-las
como sujeitos ativos de suas próprias histórias. Suas narrativas revelam processos de
ressignificação das experiências de deslocamento e de reconstrução da infância em
um novo território, permeados por desafios, mas também por afetos, aprendizagens e
esperanças.

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