SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA E VIGILÂNCIA EM SAÚDE: POTÊNCIAS, AMBIVALÊNCIAS E CAMINHOS PARA A EQUIDADE RACIAL
Nome: MARCOS VINICIUS DA SILVA CORDEIRO
Data de publicação: 26/09/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ETHEL LEONOR NOIA MACIEL | Coorientador |
| JEANINE PACHECO MOREIRA BARBOSA | Examinador Externo |
| MARGARETH ATTIANEZI BRACET | Examinador Interno |
| MARIA ANGELICA CARVALHO ANDRADE | Examinador Interno |
| PATRICIA CARLA DOS SANTOS | Examinador Externo |
Páginas
Resumo: A tese “Saúde da População Negra e Vigilância em Saúde: potências, ambivalências e caminhos
para a equidade racial” teve como objetivo analisar as ações da Vigilância em Saúde e Ambiente
que contribuem para a implementação e o fortalecimento da Saúde da População Negra e para
o enfrentamento ao racismo no Sistema Único de Saúde (SUS). Estruturada em quatro artigos,
a pesquisa abordou a integração entre a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra
(PNSIPN) e a Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS), bem como a qualidade da
informação em saúde desagregada por raça/cor. O primeiro artigo identificou aproximações e
lacunas entre as duas políticas, apontando a necessidade de maior articulação e de matrizes de
competência que incorporem o enfrentamento ao racismo como diretriz transversal. O segundo
artigo analisou a incompletude da variável raça/cor nos sistemas nacionais de informação
(2010–2023), evidenciando avanços recentes, mas persistência de desigualdades regionais e
temáticas. O terceiro artigo, uma revisão sistemática (2000–2024), mostrou que a literatura
nacional reconhece a baixa qualidade do registro, embora raramente a relacione de forma
explícita ao racismo institucional. O quarto artigo discutiu iniciativas recentes do Ministério da
Saúde para qualificar a informação racial, destacando avanços em transparência e
monitoramento, mas também desafios de institucionalização e integração. Conclui-se que a
Vigilância em Saúde apresenta caráter ambivalente: pode ampliar a visibilidade estatística e
subsidiar políticas de equidade, mas também reproduzir invisibilidades quando orientada por
lógicas tecnocráticas. A consolidação de uma epidemiologia antirracista, aliada ao
fortalecimento da formação crítica e a democratização da informação, é fundamental para que
a Vigilância em Saúde se constitua como ferramenta estratégica no enfrentamento das
desigualdades raciais e na efetivação do direito à saúde no SUS e fortalecimento da PNSIPN
integrada a PNVS.
