VACINAÇÃO PRIMÁRIA E DE REFORÇO CONTRA COVID-19 NA DOENÇA DE SJÖGREN
Nome: MARESSA BARBOSA BELONI LIRIO
Data de publicação: 01/08/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| DÉBORA CERQUEIRA CALDERARO | Examinador Externo |
| KETTY LYSIE LIBARDI LIRA MACHADO | Coorientador |
| SANDRA GOFINET PASOTO | Examinador Externo |
| TANIA QUEIROZ REUTER MOTTA | Examinador Interno |
| VALERIA VALIM CRISTO | Presidente |
Resumo: Introdução: A Doença de Sjögren (DSj) é uma condição autoimune sistêmica
caracterizada por acometimento glandular e extraglandular. Pacientes com DSj,
especialmente sob uso de imunossupressores, podem apresentar resposta
imunológica reduzida à vacinação. A pandemia de COVID-19 trouxe desafios à
proteção dessa população, ressaltando a importância de esquemas vacinais
eficazes e seguros. Objetivo: Avaliar a imunogenicidade e a segurança das
vacinas contra a COVID-19, em pacientes com DSj, em uma coorte
prospectiva. Métodos: Este é um estudo observacional, longitunidal, e
prospectivo, inserido na Coorte SAFER, envolvendo 51 pacientes com DSj
primária, classificados segundo os critérios ACR/EULAR 2016. A
imunogenicidade foi avaliada por meio dos títulos de IgG anti-Spike (IgG-S),
expressos pela média geométrica dos títulos (GMT) e fator de incremento do
GMT (FI-GMT), enquanto a atividade da doença foi mensurada pelo escore
ESSDAI. Eventos adversos e infecções por COVID-19 também foram
monitorados. As avaliações ocorreram em quatro momentos: antes da primeira
dose da vacinação (T1), antes da segunda dose (T2), antes da terceira dose (T3)
e quatro semanas após o reforço vacinal (T4). Os participantes receberam
esquemas vacinais primários com Astrazeneca (AZT) ou Coronavac (VAC), e
dose de reforço homóloga (AZT) ou heteróloga (BNT162b2 - BNT). Resultados:
A amostra composta por 51 participantes possui idade média de 46 anos, 90%
(n = 46) mulheres; 41% (n = 21) dos participantes apresentavam comorbidades;
27% (n = 14) apresentavam alta imunossupressão, estavam em uso de drogas
imunossupressoras 18% (n=9), corticosteroides 5,9% (n=5), DMCDs 20%
(n=10), hidroxicloroquina 65% (n=33), e 16% (n=8) não faziam uso de qualquer
medicação. 11% (n=4/35) estava em moderada/alta atividade no baseline, no T4
reduziu para 6,5% (n=2/35). Quanto ao esquema primário, 94% (n=48)
receberam AZT e 5,9% (n=3) receberam VAC; 73% (n=37) receberam esquema
heterólogo e 27% (n=14) receberam esquema homologo; os heterólogos
receberam BNT na dose de reforço. 20% (n=10) apresentaram infecção por
COVID após dose de reforço. Com relação a taxa de soroconversão, todos
alcançaram cerca de 100% de soroconversão, exceto os usuários de
imunobiológicos, que alcançaram níveis menores que 80% ao longo do estudo.
A comparação do títulos IgG-S ao longo do estudo alcançaram níveis
ascendentes ao longo do estudo, com relação a imunogenicidade humoral da
imunização primária, foram alcançados níveis ascendentes semelhantes nos
dois tipos de imunizantes primários, com relação a comparação da dose de
reforço (AZT ou BNT), observou-se um aumento expressivo no GMT para o
grupo BNT (2148,03), significativamente maior do que no grupo AZT (324,29) (p
< 0,001); o fator de incremento da resposta imunológica foi 6 vezes (5,98 [2,97 -
12,03]) maior (p=0,001) no grupo que recebeu BNT como reforço em
comparação com AZT. Em termos de frequência de soroconversão, o esquema
homólogo induziu 83% e o heterólogo 100%. Eventos adversos foram leves e
sem significância estatística. Sobre a análise de regressão múltipla, o reforço
com BNT permaneceu como o fator independente para alcançar maiores títulos
de anticorpos. Conclusão: A vacinação demonstrou ser segura e eficaz, com
elevados títulos de anticorpos e taxa de soropositividade, a vacinação heteróloga
foi superior a vacinação homologa, não houve associação com indução ou
agravamento da atividade de doença.
