PREVALÊNCIA DE DEPRESSÃO, FALTA DE ACESSO, UTILIZAÇÃO E TRAJETÓRIA NOS SERVIÇOS DE SAÚDE POR MULHERES NO PERÍODO PANDÊMICO
Nome: EMILY DE JESUS FRAGA
Data de publicação: 14/11/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ANA PAULA SANTANA COELHO ALMEIDA | Presidente |
| MÔNICA COLA CARIELLO BROTAS CORRÊA | Examinador Externo |
| THIAGO DIAS SARTI | Examinador Interno |
Resumo: Introdução: A pandemia de Covid-19 gerou impactos negativos na saúde mental da
população e alterou o funcionamento dos serviços de saúde. O acesso ao cuidado é
determinante para o prognóstico, afetando não apenas a vida dos indivíduos, mas também o
bem-estar coletivo. Nesse contexto, a depressão se destaca como a principal causa de
incapacidade global, gerando elevados custos sociais e pressionando os sistemas de saúde,
portanto, torna-se fundamental reconhecer os fatores associados ao acesso aos serviços de
saúde por pessoas com esse diagnóstico. Objetivos: Estimar a prevalência e identificar os
fatores associados ao diagnóstico de depressão e à falta de acesso ao atendimento médico,
bem como caracterizar o perfil de utilização dos serviços de saúde por mulheres com o
diagnóstico durante a pandemia de COVID-19, no município de Vitória (ES). Métodos:
Estudo transversal de base populacional, realizado com 1.107 mulheres com 18 anos ou mais,
residentes em Vitória (ES). As prevalências foram estimadas com respectivos intervalos de
confiança de 95% (IC95%). Foram realizadas análises bivariadas para os três desfechos, as
associações para desfechos dicotômicos foram avaliadas pelo teste qui-quadrado de
Rao-Scott. A regressão de Poisson foi aplicada para avaliar fatores associados ao diagnóstico
de depressão. Resultados: A prevalência de diagnóstico de depressão foi de 19.0% (IC95%:
16.8 –21.4), sendo mais de três vezes maior entre mulheres com autoavaliação negativa da
saúde (RP 3.84; IC95%: 2.68 - 5.50). Também foi mais elevada entre aquelas sem
companheiro (RP 1.65; IC95% 1.30 - 2.09) e entre as que possuíam plano de saúde privado
(RP 1.78; IC95% 1.40 - 2.26). A falta de acesso ao atendimento médico foi de 4.8% (IC95%
2.2 - 10.0), com proporções maiores entre mulheres pertencentes à classe econômica D/E
(33.3%; IC95% 8.4 - 73.1), com baixa escolaridade (25.0%; IC95% 6.6 - 61.0) e entre aquelas
sem plano de saúde (12.1%; IC95% 5.7 - 23.7). As UBSs foram mais utilizadas entre as
mulheres de 40 a 59 anos (57.4%; IC 95%: 44.2 - 69.6), com ensino fundamental (80,0%;
IC95%: 54.9 - 92.9), pretas (73.1%; IC95%: 52.2 - 87.1), pardas (50.0%; IC95%: 35.4-64.6) e
pertencentes à classe D/E (100%). Já os consultórios particulares foram mais frequentes entre
as mulheres de 18 a 39 anos (64.2%; IC95%: 50.2–76.1), com ensino superior (59.7%;
IC95%: 49.4 - 69.2), brancas (71.0%; IC95%: 60.0 - 81.0) e de classe A/B (60.9%; IC95%:
50.1 - 70.7). Conclusão: O estudo evidencia o impacto da pandemia no diagnóstico de
transtornos depressivos e demonstra que fatores sociodemográficos influenciam tanto a
ocupação dos espaços na sociedade quanto a atenção dedicada às queixas relacionadas à saúde
mental. Além disso, destaca o papel fundamental do SUS na redução dessas desigualdades, ao
ampliar o acesso aos serviços de saúde, especialmente para os grupos historicamente
marginalizados.
