ADVERSIDADES NA INFÂNCIA, AUTOESTIMA, SEXUALIDADE, MATERNIDADE E REPRODUÇÃO NA ADOLESCÊNCIA
Nome: TÓNIA LINETTE DA CONCEIÇÃO MENDES RAFAEL VIEIRA
Data de publicação: 30/09/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ANDRESSA REISEN | Examinador Externo |
| EDSON THEODORO DOS SANTOS NETO | Presidente |
| FLAVIA BATISTA PORTUGAL | Examinador Interno |
Resumo: As experiências de adversidades vivenciadas durante o período da infância podem ser
consideradas um importante fator de risco para desenvolvimento de problemas
psicossociais, transtornos mentais e comportamentos sexuais de risco na adolescência
e ao longo da vida. O objetivo desta dissertação foi analisar a relação das adversidades
na infância com autoestima, sexualidade, percepções sobre maternidade e reprodução
e características sociodemográficas em adolescentes. Participaram do estudo
adolescentes com idade de 15 a 19 anos, estudantes de escolas da rede de ensino
médio da Região Metropolitana da Grande Vitória, Espírito Santo. Este estudo faz parte
de um inquérito epidemiológico seccional de base escolar, com uma amostra de 2.293
estudantes de ambos os sexos. Para análise de Atitudes Face à Sexualidade de
Adolescentes (AFSA) e suas associações, foram utilizados apenas dados de
adolescentes do sexo feminino, totalizando 1.376 participantes. Estatísticas descritivas
e inferenciais foram executadas a partir das características sociodemográficas e dos
instrumentos: Questionário sobre a História de Adversidades na Infância, Escala de
Autoestima, Escala de Atitudes Face à Sexualidade, Questionário de Valores e Crenças
sobre Sexualidade e Maternidade, em versões adaptadas. Foi utilizada uma questão
do Questionário Integrado para Medir Capital Social para analisar a associação entre
relações interpessoais e autoestima. Foram calculadas frequências e aplicados testes
de Qui-quadrado de Pearson, Análise de Variância (ANOVA) e Regressão Logística
Multinominal. Os resultados demonstraram que adversidades na infância influenciam a
autoestima na adolescência. Foram encontradas associações estatisticamente
significativas da baixa autoestima com as seguintes adversidades na infância: abuso
emocional (p<0,001), abuso físico (p<0,001), abuso sexual (p<0,001), consumo de
substâncias psicoativas no ambiente familiar (p<0,001), doença mental na família
(p<0,001), negligência física (p<0,001) e negligência emocional (p<0,001). Quanto à
pesquisa sobre AFSA, os resultados demonstraram que 20% das participantes
apresentaram AFSA desfavorável e as AFSA apresentaram associação com
autoestima (ORajustado = 2,008; IC95% = 1,177 - 3,428), variáveis socioeconômicas:
raça/cor (ORajustado = 1,261; IC95% = 1,087 -1,463), situação conjugal da adolescente
(ORajustado=4,037;IC95%=1,598-10,199), escolaridade do chefe de família
(ORajustado = 0,677; IC95% = 0,569 - 0,806) e com todas as questões relacionadas à
maternidade e reprodução (p<0,05). Os níveis mais altos de escolaridade do chefe da
família da adolescente exercem um efeito protetor contra as AFSA desfavoráveis e as
relações de amizade exercem efeito protetor na autoestima. Os achados evidenciaram
que adolescentes com baixa autoestima tinham seis vezes mais chances de terem sido
expostos a quatro ou mais adversidades durante a infância (OR=6,7; IC95% = 1,52-
29,48) e adolescentes com média autoestima possuem mais chances de apresentar
AFSA desfavoráveis. Assim, há necessidade de traçar estratégias para combater a
violência infantil e identificar todas as situações traumáticas vivenciadas por crianças
ainda na infância, para viabilizar intervenções precoces a fim de reduzir riscos e danos
à saúde física e mental ao longo da vida.
