ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DA COVID-19 EM INDÍGENAS ALDEADOS DO ESPÍRITO SANTO
Nome: PRISCILA CARMINATI SIQUEIRA
Data de publicação: 24/09/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| CAROLINA MAIA MARTINS SALES | Coorientador |
| CAROLINA MAIA MARTINS SALES | Presidente |
| LETICYA DOS SANTOS ALMEIDA NEGRI | Examinador Interno |
| PAULO VICTOR DE SOUSA VIANA | Examinador Externo |
| SONIA VIVIAN DE JEZUS | Examinador Externo |
Páginas
Resumo: Introdução: Os povos indígenas são mais vulneráveis a adoecer e morrer pela COVID-
19, uma vez que as doenças infecciosas e parasitárias figuram entre as principais causas
de óbito nessas populações, especialmente quando comparados a outros grupos étnicos e
raciais. Essa vulnerabilidade é potencializada pelo modo de vida coletivo, pelas tradições
culturais que favorecem a propagação do SARS-CoV-2 nas comunidades, além das
desigualdades sociais, das dificuldades de acesso aos serviços de saúde e das localizações
geográfica das aldeias. Objetivo geral: Analisar a epidemiologia da COVID-19 na
população indígena aldeado do estado do Espírito Santo, no período de 2020 a 2024.
Métodos: A presente tese está estruturada em formato de quatro manuscritos científicos,
cada um com objetivo específico. Assim, cada manuscrito adota procedimentos
metodológicos próprios, que compõem o conjunto dos resultados da pesquisa e serão
apresentados de forma detalhada na descrição individual de cada produto.
Resultados: A revisão de escopo identificou inicialmente 2.224 estudos, resultando em
uma amostra final de 47 publicações. Os países com mais publicações foram EUA, Brasil
e México, com concentração em 2021 (42,6%). Observou-se maior número de óbitos
entre indígenas do sexo masculino com mais de 60 anos. As comorbidades mais
prevalentes foram doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial e obesidade.
Taxas de incidência e mortalidade foram maiores entre indígenas comparados a outras
raças. A análise de completude das fichas de notificação de COVID-19 em indígenas
aldeados do Espírito Santo no ano de 2020 demonstrou completude “excelente” (65,3%),
porém identificou-se completude “muito ruim” em 19,2% dos itens avaliados, o que
evidencia que alguns itens nos formulários apresentaram baixo padrão de registro dos
dados. A análise do perfil epidemiológico da população indígena do Espírito Santo, nos
anos 2020 a 2024, apresentaram uma taxa de incidência acumulada de 30.860,07/100 mil
habitantes, mortalidade 118,09/100 mil habitantes e letalidade de 0,38%. A maior
concentração de casos de COVID-19 nessa população no estado ocorreu em 2022, com
tendência de queda nos anos seguintes. Predominaram mulheres (55,74%) e tupiniquins
(92,28%), faixa etária 18–59 anos (65,05%), idade média 31,5 anos. Os óbitos ocorreram
em 18 anos, mais frequentes em 80 anos (13,64%, p<0,001), idade média dos óbitos
foram de 74 anos. Maiores incidências nas aldeias de Pau Brasil, Boa Esperança e
Caieiras Velha. As aldeias Guaxindiba, Novo Brasil e Olho d’Água não apresentaram
registros de casos da doença. A maior mortalidade e letalidade ocorreram na aldeia de
Areal (395,25/100 mil habitantes; 3,84%).
Conclusão: Os indígenas apresentam um quadro de saúde complexo e dinâmico,
diretamente relacionado a processos históricos de mudanças sociais, econômicas e
ambientais, atrelados à expansão e à consolidação de frentes demográficas e econômicas
da sociedade nas diversas regiões do Brasil. Ao longo dos séculos, tais frentes exerceram
importante influência sobre os determinantes da saúde indígena, seja por meio da
introdução de novos patógenos, ocasionando graves epidemias; da usurpação de
territórios, dificultando ou inviabilizando a subsistência; ou da perseguição e morte de
indivíduos e até mesmo de comunidades inteiras. Atualmente, emergem outros desafios
à saúde dos povos indígenas, como doenças crônicas não transmissíveis, contaminação
ambiental e dificuldades de sustentabilidade alimentar. Dessa forma, é fundamental a
adoção de políticas públicas voltadas ao controle dos fatores de risco nas comunidades, a
ampliação do acesso dessa população aos serviços de saúde e o fortalecimento das
campanhas de vacinação, a fim de prevenir novos surtos de COVID-19 e de outras
doenças imunopreveníveis nas aldeias.
