ANÁLISE DAS INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS POR HIV E SÍFILIS EM MIGRANTES VENEZUELANAS
Nome: HELAINE JACINTA SALVADOR MOCELIN CÁSSARO
Data de publicação: 30/06/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ETHEL LEONOR NOIA MACIEL | Presidente |
| KEILA CRISTINA MASCARELLO | Examinador Interno |
| LUIS CARLOS LOPES JUNIOR | Examinador Interno |
| MARIA DAS GRAÇAS DE MENDONÇA SILVA CALICCHIO | Examinador Externo |
| RICARDO ALEXANDRE ARCÊNCIO | Examinador Externo |
Páginas
Resumo: Introdução: O Brasil ainda não possui uma política nacional consolidada para a
população de migrantes, refugiados e apátridas e, na maioria das vezes, as infecções
sexualmente transmissíveis não são prioridade de saúde e os direitos à saúde sexual
e reprodutiva não são assegurados. Objetivos: Analisar o enfrentamento das
infecções sexualmente transmissíveis por HIV/ AIDS e sífilis em migrantes
venezuelanas; Sintetizar e avaliar criticamente as evidências de estudos transversais
que estimaram a prevalência de HIV e sífilis entre mulheres migrantes mundialmente;
Compreender a percepção de mulheres venezuelanas sobre o acesso aos serviços
de saúde, ao diagnóstico e ao tratamento de HIV/aids e sífilis no Brasil; Contrapor a
percepção dos gestores de saúde com a percepção das mulheres venezuelanas
sobre o acesso aos serviços de saúde, ao diagnóstico e ao tratamento de HIV/aids e
sífilis no Brasil. Métodos: A modalidade de tese adotada trará os resultados que
foram desenvolvidos no formato de três artigos e um capítulo de livro. Para alcançar
os objetivos descritos em cada um dos manuscritos, algumas escolhas metodológicas
específicas foram necessárias. Dessa forma, foi detalhado o percurso metodológico
comum aos artigos e citados as especificidades, que serão detalhadas à posteriori
em cada artigo que comporá os resultados da pesquisa. Resultados: Os produtos
resultantes desta tese, demonstram elevada prevalência de AIDS/ IST e sífilis
observada em mulheres migrantes, particularmente entre gestantes e profissionais do
sexo. Ainda desvelam o olhar protecionista do gestor em relação ao Estado,
contrapondo-se às barreiras enfrentadas pelas mulheres migrantes para acessar o
serviço. Conclusão: Faz-se imperativo o desenvolvimento de intervenções voltadas
à saúde sexual e reprodutiva que sejam cultural e contextualmente sensíveis a esse
grupo de mulheres migrantes. As barreiras estruturais ao acesso aos serviços de
saúde — tais como ausência de documentação legal, obstáculos linguísticos, temor
de deportação, discriminação institucional e custos relacionados à atenção à saúde
— permanecem como entraves significativos à obtenção de cuidados essenciais por
parte das mulheres migrantes. A superação desses desafios demanda estratégias de
alcance comunitário fundamentadas no engajamento social e na construção de
vínculos de confiança, por meio de serviços culturalmente competentes e sensíveis
às questões de gênero. A integração das ações de prevenção de ISTs aos serviços
de atenção materna, sexual e reprodutiva representa uma oportunidade estratégica
para otimizar a detecção e o tratamento precoces, minimizar os riscos de transmissão
vertical e assegurar a continuidade do cuidado ao longo do processo migratório. É
imprescindível que governos e organismos internacionais reconheçam o impacto das
legislações migratórias restritivas e das políticas de saúde excludentes na acentuação
da vulnerabilidade das mulheres migrantes às ISTs. O reconhecimento das mulheres
migrantes como população-chave nos esforços globais de controle das ISTs
transcende a esfera da eficiência em saúde pública, configurando-se como um
imperativo de direitos humanos e justiça social. Ao promover a articulação entre
intervenções em saúde, políticas inclusivas e evidências científicas consistentes, os
países poderão avançar na consolidação de sistemas de saúde pública mais
equitativos, responsivos e eficazes, comprometidos com o princípio de não deixar
ninguém para trás.
