TRAJETÓRIAS DE CLUSTERS DE SINTOMAS ONCOLÓGICOS AO LONGO DE TRÊS CICLOS DE QUIMIOTERAPIA AMBULATORIAL: ESTUDO LONGITUDINAL

Nome: ETREO JUNIOR CARNEIRO DA SILVA MINARINI

Data de publicação: 24/04/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ANDRESSA BOLSONI LOPES Examinador Interno
KARLA ANACLETO DE VASCONCELOS Examinador Externo
LUIS CARLOS LOPES JUNIOR Presidente

Resumo: Pacientes com câncer submetidos à quimioterapia frequentemente apresentam
múltiplos sintomas simultâneos, que tendem a se agrupar em padrões inter-relacionados
chamados clusters de sintomas. Compreender esses agrupamentos ao longo do tratamento pode
favorecer estratégias de cuidado mais eficazes, especialmente em contextos ambulatoriais, onde
o monitoramento contínuo é essencial.
Objetivo: Analisar a trajetória e a conformação dos clusters de sintomas oncológicos em pacientes
com neoplasias malignas ao longo dos três primeiros ciclos de quimioterapia ambulatorial,
identificando os fatores clínicos associados à sua manifestação e evolução.
Método: Estudo de coorte prospectivo com 84 pacientes adultos com câncer em estágios I-III, em
tratamento quimioterápico ambulatorial em hospital do Sudeste brasileiro. Os dados foram
coletados com o instrumento Memorial Symptom Assessment Scale (MSASTM) nos três primeiros
ciclos de quimioterapia (QT1, QT2, QT3). Os clusters de sintomas foram identificados por análise
hierárquica de agrupamento, com distância euclidiana e método de Ward. Comparações das
medianas de frequência, intensidade e incômodo dos sintomas entre os ciclos foram feitas pelo
teste de Kruskal-Wallis, seguido do pós-teste de Conover-Iman com correção de Bonferroni. As
prevalências dos sintomas entre QT1 e QT3 foram analisadas pelos testes de Wilcoxon para
amostras pareadas e dos sinais. Associações entre clusters e variáveis sociodemográficas,
clínicas e terapêuticas foram avaliadas pelos testes do qui-quadrado e exato de Fisher, com nível
de significância de 5% (p < 0,05).
Resultados: A média de idade foi de 57,61 anos, sendo a maioria do sexo feminino, com câncer
de mama do tipo histológico carcinoma ductal in situ. Foram identificados três clusters no QT1
(emocional, relacionado à quimioterapia e neuropsicológico) e quatro clusters nos ciclos QT2
(autonômico, gastrointestinal, físico sistêmico e psicossensorial) e QT3 (sensorial-perceptivo,
fisiológico, psicossomático e emocional-físico). Houve diferenças estatisticamente significativas
entre os clusters quanto à frequência, intensidade e incômodo dos sintomas nos três ciclos (p <
0,05). Os clusters 3 e 4 de QT2 e QT3 apresentaram maiores medianas nas três dimensões
avaliadas, refletindo maior carga sintomática. Observou-se um aumento da complexidade
sintomática ao longo dos ciclos, com predominância inicial de sintomas emocionais e posterior
diversificação para domínios sensoriais, funcionais e psicossociais. Três clusters principais
mantiveram-se entre QT1 e QT3: emocional, relacionado à quimioterapia e neuropsicológico.
Embora não tenha havido diferença estatisticamente significativa nas prevalências globais dos
sintomas entre QT1 e QT3, identificaram-se tendências clínicas de aumento em 11 dos 15
sintomas avaliados. No QT1, houve associação significativa entre o Cluster 2 – relacionado à
quimioterapia – e a faixa etária 65 anos (p = 0,048), bem como com a presença de comorbidades
(p = 0,004). No QT3, o Cluster 2 foi mais prevalente em mulheres (p = 0,005), e o Cluster 4 –
emocional-físico – também esteve associado ao sexo feminino (p = 0,010). O Cluster 3 –
neuropsicológico – apresentou associação com presença de comorbidades (p = 0,033), classe de
quimioterápico 4 (p = 0,007) e baixa razão plaquetas/linfócitos (RPL) (p = 0,004), sugerindo
possíveis relações entre o estado clínico-imunológico e o sofrimento psicocognitivo.
Conclusões: A identificação e comparação de clusters de sintomas evidenciaram a complexidade
da experiência sintomática de pacientes em quimioterapia, reforçando a importância de
intervenções clínicas orientadas por padrões de coocorrência de sintomas.
Os clusters demonstraram relativa estabilidade entre o primeiro e o terceiro ciclo de quimioterapia,
com variações internas em suas composições sintomáticas. As associações com variáveis clínicas
e terapêuticas destacam a relevância do monitoramento contínuo e da personalização do cuidado
com base nos perfis sintomáticos predominantes ao longo do tratamento.

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