USO DE RECURSOS EM SAÚDE E CUSTOS EM PACIENTES COM ARTRITE REUMATOIDE EM TRATAMENTO COM TERAPIA BIOLÓGICA NO SUS

Nome: Poliane Barbosa Sampaio Buffon
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 31/08/2021
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Eliana Zandonade Co-orientador
Valéria Valim Cristo Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Jandesson Mendes Coqueiro Suplente Externo
Jose Geraldo Mill Suplente Interno
Ketty Lysie Libardi Lira Machado Examinador Interno
Mirhelen Mendes de Abreu Examinador Externo
Nagela Valadão Cade Examinador Externo
Thiago Dias Sarti Examinador Interno
Valéria Valim Cristo Orientador

Resumo: Introdução: Esta pesquisa foi motivada pela necessidade de análise na trajetória de
pacientes frente à introdução das novas terapias efetivas para o tratamento da Artrite
Reumatoide (AR). O tratamento com drogas modificadoras do curso da doença
sintéticas convencionais (csDMARD) e DMARD biológicas (bDMARD) para AR são
fornecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os medicamentos biológicos
disponíveis são ditos dispendiosos. Apurar os custos econômicos associados a AR é
uma ação importante para a tomada de decisão. A tese foi dividida em três partes,
sendo a primeira parte uma análise farmacoepidemiológica, através de dados
secundários, com tendência temporal, do perfil de pacientes diagnosticados com AR
em tratamento com terapia biológica atendidos nas Farmácias Cidadãs do Espírito
Santo; a segunda parte apresenta resultados de um estudo qualitativo que mostra os
percursos trilhados através de uma experiência individual de pacientes diagnosticados
com AR em tratamento com terapia biológica e; a terceira parte abrange uma análise
que retrata o uso de recursos e a valoração desses recursos dos pacientes
diagnosticados com AR sob a perspectiva do SUS. Objetivo: Avaliar as
características epidemiológicas do uso de recursos em saúde e os custos sob a
perspectiva ampliada do SUS, através do mapeamento da trajetória de todos os
pacientes com artrite reumatoide atendidos com terapias biológicas no estado do
Espírito Santo. Metodologia: Coorte de retrospectiva de dados secundários em série
histórica, com intuito de analisar o perfil, a série temporal e estimar o uso de recursos
em saúde e os custos, através do mapeamento da trajetória de todos os pacientes
com AR atendidos com terapias biológicas nas dez farmácias públicas, denominadas
Farmácias Cidadãs, distribuídas nos municípios do estado do Espírito Santo,
atendidos entre 2009 e 2017. Foi adotado a técnica do record linkage na utilização
conjunta do banco de dados das farmácias cidadãs do ES entre o Boletim de Produção
Ambulatorial (BPAB) e o Sistema de Informação Hospitalar (SIH) e a Autorização de
Procedimento de Alta Complexidade (APAC). Foi realizada uma análise de
sensibilidade sobre os preços PMVG e o PF de cada medicamento utilizado para AR
fornecido pelo SUS, por intermédio da mudança de variáveis chaves dentro do
modelo, a fim de compreender diferentes cenários de gastos e de valores de
negociação. Foi realizado também um estudo de abordagem qualitativa, realizado
com dez sujeitos com AR em uso de terapia biológica, cadastrados em uma Farmácia

Cidadã. A produção do material se deu por entrevista aberta, na qual, após a
transcrição, os dados foram analisados pela técnica de Análise de Conteúdo, na
modalidade Análise Temática. Sugiram duas categorias, a saber: Limites dos
Itinerários Terapêuticos – que aferem gastos financeiros, o afastamento laboral e a
trajetória do diagnóstico do tratamento; e Potencialidades dos Itinerários Terapêuticos
– conhecimento sobre o próprio tratamento e acesso ao SUS. Resultados: Houve
9.804 solicitações para o tratamento com as terapias biológicas, com dispensação
concentradas nas Farmácias Cidadãs da Região Metropolitana do estado (69%); com
predominância de mulheres (84%), e idade média de 56 anos; o medicamento com
maior prevalência foi o Adalimumabe (40%), seguido do Infliximabe (21%), com um
gasto total de R$ 6.335.100,71. Dos 902 pacientes atendidos com AR em uso de
DMARDb, 783 foram identificados, após record linkage, entre 2009 e 2017. Após a
integração dos 3 bancos de dados BPAB, SIH e APAC, foi possível parear 386 (42,8%)
pacientes. Desses, 83,9% eram mulheres, de 56 12,2 anos. No período, foram
realizados 1147 procedimentos ambulatoriais e hospitalares, sendo 77,41%
ambulatoriais e 22,59% de internação. Ao avaliar os gastos médios dos
procedimentos (BPAB- R$96.556,08; SIH-R$765.644,00), observa-se que apesar da
SHI apresentar um número significativamente menor de procedimentos, o seu custo
representa 88,80% dos recursos utilizados. O custo médio por paciente, ao ano, com
medicamentos (DMCDb + DMCDcs), considerando os cenários máximo, médio e
mínimo foi de R$ 3.548.775,00, R$ 2,753.441,00 e R$ 2.090.033,00. A soma de todos
os custos médios de todos os procedimentos foi de R$ 862.200,22, no período do
estudo. Considerando o valor estimado do cenário médio para medicamentos, isso
significa que, os custos com terapia biológica representam 94,27% dos custos com
medicamentos e 91,4% de todos os custos. No estudo dos itinerários terapêuticos a
renda familiar foi uma questão significativa das experiências, marcando as histórias
de vida, e contada em suas narrativas; percebeu-se fragilidades no diagnóstico
precoce, mas que as experiências vivenciadas no decorrer do processo para o
diagnóstico e tratamento correto proporcionaram aos pacientes uma aquisição de
conhecimento sobre a doença. Conclusão: O linkage de bancos do SUS possibilitou
a (re)construção da trajetória dos pacientes com AR em larga escala e a estimativa
de uso de recursos e custos com o tratamento da AR no Brasil. O gasto com terapia
biológica é progressivo e representa 91,4% de todos os custos. No itinerário percorrido
pelos participantes dessa pesquisa é perceptível à demora do diagnóstico e, com isso

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a piora dos sinais/ou sintomas da doença. Nenhum dos participantes foi diagnosticado
em menos de um ano de apresentação das características da doença, independente
de ser um paciente assistido integralmente no SUS ou de ter um plano de saúde e, as
dificuldades no itinerário foram as mesmas, ou seja, diagnóstico tardio e impacto na
renda familiar.

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