Efeitos subjetivos do processo de trabalho vivenciados por profissionais de um centro de atenção psicossocial álcool e drogas

Nome: Kallen Dettmann Wandekoken
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 06/04/2015
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Maristela Dalbello de Araujo Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Francis Sodré Examinador Interno
Luiz Henrique Borges Examinador Externo
Maristela Dalbello de Araujo Orientador
Túlio Alberto Martins de Figueiredo Examinador Interno

Resumo: Esta tese apresenta os resultados da pesquisa que teve como objetivo analisar
como os trabalhadores vivenciam os efeitos subjetivos produzidos pelo processo de
trabalho de um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (C APSad). A
pesquisa foi realizada sob uma abordagem qualitativa, em um CAPSad do município
de Vila Velha, Espírito Santo. A coleta de dados se deu por meio de cinco etapas: 1.
Análise documental das políticas vigentes sobre uso de drogas; 2. Análise de
prontuários; 3. Entrevista coletiva com dez trabalhadores; 4. Oitenta horas de
observação do cotidiano de trabalho; 5. Entrevista em profundidade com treze
trabalhadores. Para análise de dados foi utilizada a técnica da Análise Temática.
Constatamos que no plano das políticas sobre o assunto,há prevalência de ideias
relacionadas à repressão dos usuários, apesar da tentativa do Ministério da Saúde
(MS) em abordar a redução de danos como uma estratégia que valoriza o sujeito e
sua singularidade. A análise ainda apontou as dificuldades que os profissionais
enfrentam neste município para atuar segundo as diretrizes do MS, uma vez que as
ações municipais dão ênfase à repressão, à religiosidade e ao amedrontamento
como estratégia de prevenção, com apoio da justiça e da polícia. Enfatizamos que
tais ambiguidades repercutem no trabalho e para o trabalhador. Apontamos ainda
outros aspectos que geram efeitos para os trabalhadores: condições de trabalho
precárias (devido à estrutura do serviço, baixos salários e rede de atenção
inexistente), falta de reconhecimento (devido à omissão da gerência e à ausência de
normas) e sobrecarga (devido à falta de profissionais e aos conflitos nas divisões de
tarefas). Essas situações levam a efeitos subjetivos como: desgaste, adoecimento,
medo, incapacidade de agir, apatia, desvalorização, desmotivação e no
aprisionamento do trabalhador. Notamos que estes efeitos são todos negativos e
que os profissionais os vivenciam por meio do distanciamento afetivo no processo
de trabalho, o que repercute negativamente na possibilidade de produção de um
cuidado efetivo. Sugerimos que haja investimentos na formação de todos os
trabalhadores que atuam nesse local, com foco na educação permanente, uma vez
que por meio desta há o incentivo da aprendizagem e o enfrentamento criativo dos
efeitos vivenciados no cotidiano.É preciso que haja diálogo, seja entre os
trabalhadores e a gestão, entre os próprios trabalhadores e entre trabalhadores e
usuários.

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