Benzedeiras de Maruípe: Uma Prática de Cuidado Humano em Extinção

Nome: Juliana Pereira Simões
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 17/03/2014
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Túlio Alberto Martins de Figueiredo Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Rita de Cássia Duarte Lima Examinador Interno
Túlio Alberto Martins de Figueiredo Orientador

Resumo: Estudo realizado com benzedeiras de uma área de saúde do município de Vitória - ES,
objetivando identificá-las, conhecer suas histórias de vida e o interesse das mesmas em
articularem-se com os profissionais das unidades básicas de saúde locais. Por se tratar de
uma região marcada pela violência advinda do tráfico de drogas, tornou-se impossível
identificar o universo dessas mulheres, face à impossibilidade de acesso a alguns desses
bairros; assim posto, nossa amostra ficou limitada a cinco benzedeiras. A coleta de material
do estudo se deu através de entrevistas e observações registradas em um diário de campo.
O material transcrito e os apontamentos do diário de campo possibilitaram a narrativa de
inspiração cartográfica deste estudo. Essas benzedeiras são mulheres entre 64 a 88 anos
de idade, residem em locais inóspitos e em moradias humildes. Algumas benzem apenas
crianças, outras todos aqueles que as procuram, inclusive para benzimento de seus
animais. Nenhuma delas cobra e tão pouco aceita agradecimento pela atenção prestada,
pois segundo elas, o agradecimento deve ser dirigido a Deus. São mulheres humildes, todas
moradoras antigas da área, ora reconhecidas como importantes pelo dom que têm, ora
rechaçadas como demoníacas por grupos religiosos. No tocante a uma aproximação com as
equipes locais de saúde, todas as benzedeiras se mostraram avessas à ideia, no
entendimento de que tal aproximação significaria uma demanda de benzimentos aumentada
e obrigatória, o que contraria a lógica da atenção prestada pelas mesmas, que só benzem
de acordo com a conveniência: sentindo-se bem, praticam o benzimento; estando
desvitalizadas, evitam benzer. Por se tratar de mulheres idosas, as benzedeiras encontramse ameaçadas de extinção, visto que aprender o oficio não tem sido objeto de interesse das
novas gerações.

Acesso ao documento

Acesso à informação
Transparência Pública

© 2013 Universidade Federal do Espírito Santo. Todos os direitos reservados.
Av. Marechal Campos, 1468 - Bonfim, Vitória - ES | CEP 29047-105