Transtornos mentais e trabalho: prevalência e produtividade em São Paulo, Brasil.

Nome: Mariane Henriques França
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 28/02/2014
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Maria Carmen Moldes Viana Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Maria Carmen Moldes Viana Orientador
MARIA HELENA MONTEIRO DE BARROS MIOTTO Examinador Interno

Resumo: O objetivo deste estudo é estimar a prevalência de transtornos mentais de acordo com a situação
de emprego por sexo, analisar associações entre os transtornos mentais e situação de emprego,
bem como entre a busca de tratamento e situação de emprego dentre os respondentes com
transtornos mentais nos últimos 12 meses. Além disso, pretende-se analisar a perda de dias de
trabalho devido ao absenteísmo e ao presenteísmo associando-os com os transtornos mentais,
dentre os trabalhadores. Os dados foram analisados a partir do Estudo São Paulo Megacity, um
estudo de base populacional que avaliou os transtornos mentais em uma amostra probabilística
de 5.037 adultos residentes na Região Metropolitana de São Paulo, utilizando a versão do
Composite International Diagnostic Interview da Organização Mundial de Saúde. A amostra foi
dividida em grupos de acordo com a situação de trabalho trabalhadores, economicamente
inativos e desempregados. A prevalência dos transtornos mentais foi estimada estratificada por
sexo, bem como, as associações com as situações de emprego, características sócio-demográficas
e procura por tratamento. O número médio de dias perdidos por absenteísmo e presenteísmo na
população de trabalhadores foi estimado baseado na Escala de Avaliação de Incapacidade
Organização Mundial de Saúde. Os efeitos a nível populacional e os custos financeiros também
foram estimados. As associações foram medidas pelo Odds Ratio e calculada através do modelo
de regressão logística multinomial. Do total da amostra (n= 5.035), 63% eram trabalhadores,
25% economicamente inativos e 12% desempregados. Os trabalhadores foram associados ao
sexo masculino, menor idade, maior número de anos estudados e maior renda. As mulheres
apresentaram maior prevalência de transtornos de humor e ansiedade. Os homens foram
associados a qualquer transtorno mental, transtorno de humor e transtorno de ansiedade, as
mulheres foram associadas a situação de emprego economicamente inactivas e desempregadas.
Os homens cuja situação de emprego era trabalhador mostrou maiores prevalências nos
transtornos de impulso-controle e nos transtornos por uso de substâncias psicoativas. As
mulheres cuja situação de emprego era trabalhador e os homens cuja situação de emprego era
economicamente inativos, tiveram maiores prevalências de transtornos mentais. Dentre
respondentes com algum transtorno mental, os respondentes economicamente inativos
apresentaram associação com a procura de tratamento de saúde geral e de saúde mental. A
presença de algum transtorno mental foi associado com 26,8 dias/ano devido ao absenteísmo,
92,2 dias/ano devido ao presenteísmo e 125,9 dias/ano de perda total de trabalho. Os custos
anuais da perda de trabalho foram estimados em R$ 2,6 bilhões por ano, correspondentes a R$
690 milhões por ano devido ao absenteísmo, e R$ 1,9 bilhões por ano devido ao presenteísmo.
Nossos resultados fornecem importantes informações epidemiológicas sobre os transtornos
mentais e o impacto no trabalho que devem ser levadas em consideração na definição de
prioridades para os cuidados em saúde e alocação de recursos.

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