Condições de nascimento e amamentação e saúde cardiovascular de crianças de 9 e 10 anos

Nome: Milena Santos Batista
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 05/04/2013
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Maria del Carmen Bisi Molina Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Maria del Carmen Bisi Molina Orientador

Resumo: Há evidências de que fatores de risco para ocorrência de Doenças Crônicas não Transmissíveis têm início silencioso em etapas precoces do desenvolvimento. Essa questão foi suscitada a partir de estudos que relacionaram o peso ao nascer com o desenvolvimento de doenças na vida adulta, cuja hipótese se baseia na ideia de que o feto seria programado intra-útero, principalmente por fatores nutricionais que influenciariam no metabolismo e na fisiologia do indivíduo por toda a vida. O objetivo deste estudo foi investigar a saúde cardiovascular de crianças de 9 a 10 anos e sua relação com as condições de nascimento (baixo peso ao nascer e prematuridade) e de amamentação. Foram avaliadas 231 crianças, de ambos os sexos, matriculadas em escolas públicas e privadas do município de Vitória/ES. As crianças compareceram em jejum, acompanhadas de seus responsáveis, no Centro de Investigação Cardiovascular da UFES para realização de exames antropométricos, laboratoriais e hemodinâmicos (pressão arterial e velocidade de onda de pulso carótida-femoral - VOP). No dia da visita, as crianças e seus responsáveis responderam a um questionário sobre questões de saúde atuais e pregressas. O teste Kolmogorov-Smirnov foi utilizado para testar a normalidade das variáveis contínuas e depois realizados os testes t de Student para amostras independentes ou Mann Whitney. O teste do qui-quadrado (X2) foi utilizado para avaliar a distribuição das variáveis categóricas. Variáveis hemodinâmicas, categorizadas em tercis, foram analisadas utilizando ANOVA a uma via, seguida do teste de Tukey para avaliação entre grupos. Variáveis contínuas foram correlacionadas utilizando teste de Pearson ou de Spearman. Aplicou-se a análise de regressão linear múltipla para identificar a contribuição parcial e total dos fatores na determinação dos valores de VOP e de pressão arterial. O nível de significância estabelecido para todos os testes foi de &#61537;=0,05. Observou-se maior frequência de meninos nas classes socioeconômicas A+B (61%) e na condição de sobrepeso (meninas= 38%, meninos= 51%, p=0,05). O baixo peso ao nascer foi mais frequente entre meninas (meninas=18%, meninos=7%, p=0,01). Crianças do sexo masculino apresentaram maiores médias de PAS (p=0,05), VOP (p=0,03) e peso ao nascer (p<0,01), quando comparados às meninas. A PAS foi maior entre as crianças nascidas com peso igual ou superior a 2500g. Não foi encontrada diferença estatística das médias de PAD e VOP e peso ao nascer. A prematuridade e amamentação também não foram associadas aos níveis pressóricos e à rigidez arterial. O IMC apresentou associação positiva e significativa com PAS, PAD e VOP. A análise de regressão linear indicou que 44% do aumento da PAS nas crianças avaliadas são explicados pelo IMC. Para a PAD as variáveis que se mantiveram no modelo foram o IMC e VOP, explicando 38% nas alterações de PAD. Os fatores que explicaram as alterações na VOP foram IMC e PAD (r=0,29; p<0,01). Conclui-se que a hipótese de programação fetal e infantil não foi comprovada neste estudo e que apenas o IMC foi associado ao aumento da PAS, da PAD e da VOP, após ajuste por sexo.

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