Óbitos Por Causas Externas e Acidentes de Trabalho no Município da Serra-es.

Nome: Kátia Crestine Poças
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 28/08/2008
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Luiz Henrique Borges Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Aloísio Falqueto Examinador Interno
Francis Sodré Examinador Externo
Luiz Henrique Borges Orientador

Resumo: Estudo descritivo das mortes por causas externas, ocorridas entre 2000 e 2005,
entre homens e mulheres, de 10 anos ou mais de idade, residentes no município da
Serra, Espírito Santo, com objetivos de descrever o perfil da população ocupada;
descrever o padrão dos óbitos por causas externas segundo as variáveis: tipo de
causa, sexo, faixa etária e ocupação; e identificar as relações existentes entre os
óbitos por causas externas e os acidentes de trabalho. Foram utilizadas bases de
dados oficiais. Os resultados obtidos foram analisados em dois períodos agregados:
2000 a 2002 e 2003 a 2005. Observou-se que em cinco anos o número de
empregos formais no município aumentou 85,07% enquanto a população geral
aumentou 19,31%, destacando o setor da construção como o que mais contribuiu
com a expansão, sendo responsável por 25,55% do acréscimo. Observou-se ainda
que, no período de 2000 a 2002, as causas externas foram a principal causa de
morte respondendo por 30,1% das mortes e, para os anos de 2003 a 2005, a
segunda causa com 28,2% dos óbitos. Quanto ao sexo, encontrou-se que, em
média, morreram oito homens para cada mulher por causas externas. O impacto dos
homicídios permanece superior na população masculina - variando de 72,2% a
73,61% entre os dois períodos estudados - e na faixa etária de 15 a 19 anos - com
83,56% e 89,18%, respectivamente - diminuindo nas faixas de maior idade. Para a
maioria das ocupações, a causa externa representa a maior proporção de mortes,
sendo os homicídios responsáveis por 67,22% das mortes nos anos de 2000 a 2002
e 69,70% nos anos de 2003 a 2005. Os estudantes representaram a maior
proporção de óbitos por causas externas nos dois períodos, com 12,81% e 12,07%,
respectivamente. Entre 2000 e 2002, observaram-se percentuais de 10,4% para
trabalhadores braçais, 9,94% para refrataristas e 5,01% para tratoristas. Nos anos
de 2003 a 2005, houve um aumento de 14,36% nos óbitos por causas externas,
sendo os refrataristas com 11,74%, trabalhadores braçais com 9,93% e protocolistas
com 4,52%. Em média, 98% dos óbitos não possuem informação declarada sobre
acidente de trabalho. Os acidentes de trabalho declarados encontravam-se na
categoria outros acidentes (51,43%), acidentes de transportes (25,71%) e quedas
(22,86%); para 14,29% dos óbitos não havia informação sobre a ocupação.
Observou-se que os acidentes de trabalhos são identificados nas ocupações dos
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setores industriais e da construção civil, não havendo visibilidade para os acidentes
que ocorrem no contexto da rua. O perfil de óbitos por causas externas encontrado
pode ser explicado pelas características do município marcado pela industrialização
e urbanização tardias; pelo desenvolvimento econômico recente, onde as indústrias
de transformação são motores para a ampliação dos empregos nos setores da
construção civil, do comércio e da prestação de serviços; pela precariedade de
vínculos e pela informalidade, que criam condições estruturais para as
desigualdades sociais. Neste cenário, os acidentes de trabalho constituem a outra
face a ser enfrentada, com a melhoria da produção de informações no nível local,
visando instrumentalizar ações efetivas para seu controle.

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