A Endemia de Tuberculose e Seus Determinantes Socioeconômicos no Espírito Santo: uma Análise de Dados Espaciais.

Nome: Rafael da Cruz Araújo Vieira
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 14/12/2006
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Eliana Zandonade Co-orientador
Ethel Leonor Noia Maciel Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Eliana Zandonade Coorientador
Ethel Leonor Noia Maciel Orientador
Guilherme Loureiro Werneck Examinador Externo
Reynaldo Dietze Examinador Externo

Resumo: A tuberculose é, ainda hoje, a principal causa de mortes entre adultos ao redor do mundo por doenças infecciosas. A cada ano surgem 8,8 milhões de novos casos, sendo a doença responsável por cerca de 2,7 milhões de óbitos. As estratégias individualizadas de diagnóstico e tratamento não têm produzido os resultados esperados. Acredita-se que a análise de dados espaciais possa contribuir na focalização das ações de saúde e revelar determinantes da ocorrência da doença.
Este estudo teve como objetivos a caracterização dos municípios do Espírito Santo em perfis socioeconômicos e demográficos, a análise da endemia de tuberculose e sua distribuição espacial e a avaliação da relação da incidência de tuberculose com características socioeconômicas e demográficas, no período de 2000 a 2004.
Delineou-se um estudo ecológico, que fez uso de informações censitárias e de dados provenientes do SINAN. A classificação dos municípios segundo perfis foi realizada através de técnicas multivariadas (Análise Fatorial e de Clusters). A epidemiologia da tuberculose foi descrita com base nas taxas de incidência bruta, padronizada por idade e pelas taxas corrigidas pelo método Bayesiano Empírico Global e Local. A dependência espacial foi verificada pelo Índice I de Moran e Índice de Moram Local (LISA). A análise das correlações entre a endemia de tuberculose e aspectos socioeconômicos e demográficos foi feita por meio da comparação de médias entre mais de dois grupos (ANOVA one-way).
A classificação dos municípios revelou quatro perfis com grandes diversidades entre eles. A distribuição da endemia de tuberculose apresenta forte dependência espacial (I Moran = 0.585207; p < 0,001) além de três aglomerados com taxas correlacionadas segundo o LISAMAP: RMGV, Região Norte e Região Serrana/Caparaó. A incidência em dois dos perfis foi significativamente superior à dos demais (F = 15.38; p < 0,000). A taxa de incidência mostrou-se correlacionada com o fator Urbanização (r = 0,6737; p < 0,05).
A classificação socioeconômica e demográfica dos municípios foi capaz de evidenciar as marcantes diferenças existentes entre as condições de vida dos municípios e de suas populações. A ocorrência de dependência espacial é indicativa da existência de um processo subjacente determinante da endemia. A correlação entre a taxa de incidência da tuberculose e o fator Urbanização pode ser explicada por um processo histórico, quando se observou uma intensa urbanização de caráter excludente e gerador de desigualdades intra-municipais. Sugere-se que os novos casos distribuam-se de maneira heterogênea no interior dos municípios, concentrando-se nas regiões de acentuada pobreza.

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