OS Espaços de Transmissão da Hanseníase: Domicílio, Trabalho e Relações de Vizinhança.

Nome: Elizabeth Santos Madeira
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 13/04/2006

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Aloísio Falqueto Orientador
Ethel Leonor Noia Maciel Examinador Interno
Maria Leide Wand Del Rey de Oliveira Examinador Externo

Resumo: A hanseníase no Espírito Santo teve um decréscimo acentuado na sua taxa de
prevalência, mas não igualmente na taxa de detecção, demonstrando que as
intervenções realizadas, apesar de terem melhorado a qualidade dos serviços, não
conseguiram ainda impactar o ciclo de transmissão da doença na população,
necessitando de novas intervenções. Esta pesquisa objetiva explorar os diversos
espaços de transmissão da hanseníase: o domicílio, o trabalho e as relações de
vizinhança, no município de Vitória-ES. Para isso, utiliza dois estudos tipo ecológico
e um exploratório. No primeiro deles, realiza a distribuição espacial dos casos de
hanseníase no município e calcula os coeficientes médios de detecção e também de
detecção <15 anos em cada território de saúde. Na segunda etapa, estudo
exploratório, investiga o ambiente de trabalho, divulgando sinais e sintomas da
hanseníase e examinando os suspeitos. Faz também, por meio de estudo ecológico,
comparação entre dois grupos de pacientes: da zona urbana (Vitória) e da zona rural
(ES), para analisar a contribuição do fator trabalho na transmissão da hanseníase.
O resultado do estudo das relações sociais demonstrou uma distribuição dos casos
de hanseníase por todas as regiões do município de Vitória, com maior
concentração espacial na da Grande São Pedro, nos territórios de São Pedro V,
Resistência, Santo André. A região foi responsável por 32,5% dos casos de
hanseníase em Vitória. Outra área de concentração pertence aos limites dos bairros
de Maria Ortiz e Jabour, na região Continental. São espaços de ocupação recente
da ilha de Vitória, 1980-1990, e, em comum, possuem história de invasão por
migrantes que se localizaram em palafitas sobre área de aterro sanitário. Os
coeficientes médios de detecção demonstraram que as áreas de maior risco de
transmissão da hanseníase são quatro territórios hiperendêmicos 1 (coeficiente de
detecção 10/10000 habitantes), onde vivem 8,9% da população, com proporção
média de 33,96% dos casos de hanseníase de Vitória: São Pedro V, Resistência,
Santo André e Jabour. A superposição de um índice de carência social sugere
relação da hanseníase com condição socioeconômica precária. O estudo do perfil
dos pacientes identificou que são de meia-idade, predominantemente mulheres,
residentes em Vitória há mais de cinco anos, com baixa condição socioeconômica, a
maioria paucibacilares e que têm acesso fácil aos serviços de saúde. A média de
idade de 39 anos e 6 meses sugere período de incubação longo e remete às
dificuldades dos serviços de saúde em identificar a fonte de infecção e desenvolver
ações que sejam efetivas para o controle da endemia. No rastreamento de casos em
ambientes de trabalho, foram identificados três casos novos, em um único local,
concluindo pela pertinência dessa abordagem. Na comparação entre grupos urbano
e rural, foi encontrada diferença estatisticamente significativa no modo de detecção
do caso, com a descoberta de caso, via exame de contato, no grupo da zona urbana
maior do que no grupo da zona rural que serviu de controle, demonstrando a
participação tanto da transmissão familiar quanto da extradomiciliar no fenômeno de
adoecimento dos membros de uma família, o que sugere ser conseqüência da
urbanização acelerada das últimas décadas no Espírito Santo, que gerou
aglomerações nas periferias das grandes cidades, caracterizadas por várias famílias
ligadas por laços consangüíneos, habitando o mesmo quintal, inter-relacionando-se
e também com outros indivíduos, em diversos espaços possíveis de transmissão
(trabalho, rede social). O conjunto dos resultados sugere que a miséria e a
conseqüente exclusão social constituem importante elo na teia de causalidade da
doença. Em Vitória, muitos indivíduos expostos a um risco baixo estão gerando mais
casos do que poucos indivíduos expostos a um alto risco de adoecer. Estratégias
destinadas à população em geral e aos profissionais de saúde têm sido mais
efetivas na descoberta de novos casos de hanseníase do que o exame de contato
normatizado pelo Ministério da Saúde, que não deve ser esquecido, mas que não
pode se constituir, em Vitória, atividade prioritária na busca de novos casos de
hanseníase, em detrimento das estratégias populacionais.

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