O ABSENTEÍSMO COMO FATOR DE DESPERDÍCIO EM CONSULTAS E EXAMES ESPECIALIZADOS NA REGIÃO DE SAÚDE METROPOLITANA DO ESPÍRITO SANTO

Nome: Sonia Maria Beltrame
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 28/06/2019
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Adauto Emmerich Oliveira Co-orientador
Edson Theodoro dos Santos Neto Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Adriana Ilha da Silva Examinador Interno
Edson Theodoro dos Santos Neto Orientador
Maria Angélica Borges dos Santos Examinador Externo

Resumo: A produção do cuidado integral é um dos desafios para a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar dos esforços para garantir o acesso ao usuário, o absenteísmo em consultas e exames é uma realidade no SUS.O objetivo deste estudo foi analisar absenteísmo como fator de desperdício em consultas e exames especializados na Região de Saúde Metropolitana do Espírito Santo (RSMES), nos anos de 2014 a 2016. Essa pesquisa quantitativa analisou os bancos de dados secundários, fornecidos pelo Sistema de Regulação do Espírito Santo (SISREG-ES). As variáveis selecionadas foram: ano, procedimento agendado, procedimento confirmado, procedimento não confirmado, consultas especializadas, exames especializados e local executante. Os procedimentos inicialmente foram classificados em consultas e exames; e, posteriormente, por ano e local executante. Para as consultas, diante as diversas nominações usadas pelo SISREG-ES, foi necessário utilizar a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) para definir a especialidade médica e outras. Após, os procedimentos de consultas e exames foram codificados, com base na Tabela Unificada de Procedimentos, Medicamentos e Insumos Estratégicos do SUS (TabelaSUS). Os exames foram reunidos em grupos e subgrupos, de acordo com a classificação da Tabela SUS. Para atender aos objetivos, os procedimentos foram analisados por local executante e por modalidades de gestão, sendo serviços públicos (administração direta) e serviços privados, públicos com gestão das OSS e filantrópicos (administração indireta). Os valores monetários foram obtidos usando a Tabela SUS, tabela complementar de convênios e tabela de custos estimados, atualizadas para o ano de 2018, segundo o tipo de prestador envolvido no atendimento. Para todos os locais executantes, trinta e oito (38), os dados foram trabalhados individualmente, utilizando o programa Microsoft Office Excel 2010. As taxas de absenteísmo foram calculadas dividindo-se o total de procedimentos não confirmados (absenteísmo), no numerador, pelo total de procedimentos agendados, no denominador, para cada especialidade, multiplicando-se o resultado por 100. Os valores monetários estimados para o desperdício foram obtidos mediante a multiplicação do total de procedimentos não confirmados (absenteísmo) anualmente por especialidade pelos valores atribuídos a cada procedimento segundo a natureza administrativa do local executante. Foram analisados 1.002.719 procedimentos, sendo 666.182 consultas e 336.537 exames especializados. Analisaram-se 34 especialidades, com taxas que variaram de 0 a 75,9%. A taxa média de absenteísmo para consultas foi de 38,6% (257.025 consultas), num valor estimado de R$ 3.558.837,88. A quantidade de exames especializados contabilizados durante o período analisado foi de 336.537 procedimentos, com taxa de absenteísmo total de 32,1% (108.103 exames); eum desperdício estimado de R$ 15.007.624,15, no total de R$ 18.566.462,03. A taxa de absenteísmo variou de 22,3% a 100,0%. Os exames do grupo 02, procedimentos com finalidade diagnóstica, apresentaram o maior desperdício, no total de R$ 13.774.088,92. Em relação às modalidades de gestão, para consultas, a menor taxa de absenteísmo foi para serviços filantrópicos 35,5%, com um desperdício estimado de R$ 341.750,00; e a maior taxa foi de 42,7%, para o serviço privado, com um desperdício de R$ 2.000,00. Para os exames, a menor taxa foi de 26,1%, nos serviços privados, e o total de desperdício foi de R$ 781.687,87. A maior de absenteísmo foi de 34,9%, nos serviços filantrópicos, com total de desperdício de R$ 4.459.951,03. O maior valor de desperdício, R$ 8.943.943,26, encontrou-se nos serviços públicos com gestão de OSS. Considerando as taxas e os valores monetários encontrados, recomendam-se estudos sobre o combate ao absenteísmo, para que sejam buscadas as causas relacionadas com a gestão e com as particularidades do usuário, a fim de propor reduções viáveis considerando os prejuízos para a gestão do SUS. Os dados monetários por modalidade de gestão são importantes informações que ajudam na tomada de decisão por gestores, sobre investimentos e prioridades nas contratações dos serviços da gestão administrativa indireta. Assim, pode-se concluir que modernizar a gestão na saúde e otimizar os recursos disponíveis, combatendo o desperdício, sem comprometer a qualidade da assistência, será um desafio constante na agenda dos gestores para sustentabilidade SUS.

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