CASOS CONFIRMADOS DE INTOXICAÇÕES EXÓGENAS POR
AGROTÓXICOS: UMA ANÁLISE DE REGISTROS OCORRIDOS NO
ESPÍRITO SANTO DE 2007 A 2016

Nome: Karla Patrício Carvalho
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 29/03/2019
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Luciane Bresciani Salaroli Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Luciane Bresciani Salaroli Orientador

Resumo: O uso de substâncias como praguicidas ocorre desde o período pré-industrial. Com o término da Segunda Guerra Mundial e necessidade de escoamento das substâncias usadas como armas químicas, surgiram os agrotóxicos. Com seu uso incentivado pela Revolução Verde, a utilização desses produtos vem aumentando mundialmente e principalmente nos países em desenvolvimento. O Brasil é atualmente o maior consumidor mundial de agrotóxicos e o número crescente dos casos de intoxicação vem chamando a atenção para esse agravo. Atualmente o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) recebe as notificações das intoxicações exógenas por agrotóxicos de forma compulsória. Dados do Ministério da Saúde do Brasil mostraram um aumento acentuado do número de intoxicações por agrotóxicos no Espírito Santo entre os anos de 2007 e 2013. Neste estudo o objetivo foi descrever os casos confirmados de intoxicações exógenas por agrotóxicos no Estado do Espírito Santo entre 2007 a 2016. Foram feitas análises descritivas das variáveis socioeconômicas e relacionadas à exposição para todo o território e para as áreas urbanas e rurais. Foram realizadas regressão linear e quadrática para análise de tendência temporal e distribuição das taxas médias de incidência dos casos confirmados de forma decenal e quinquenal. Os resultados mostraram aumento na taxa de incidência, do número de notificações, casos confirmados e óbitos por intoxicação exógena por agrotóxicos no estado do Espírito Santo na série histórica. A população estudada foi composta predominantemente por indivíduos do sexo masculino (n=2457; 63,7%), na faixa etária de 20 a 29 anos (n=936; 24,3%) e 30 a 39 anos (n=903; 23,4%), de cor branca (n=1465; 46,6%), com ensino fundamental incompleto (n=1176; 54,6%) e que trabalha informalmente (n=1166; 46,3%). O número de casos notificados (n=2457; 20,0%) e casos confirmados (n=1620; 65,9%), além da taxa de letalidade (n=63; 0,9) e taxa de incidência (0,09) relacionadas às intoxicações por agrotóxicos é maior entre os homens do que entre as mulheres. A intoxicação intencional com motivação suicida é maior no sexo masculino. A classe química de agrotóxicos mais envolvida nos casos notificados estudados foram os inseticidas, seguidos dos acaricidas e herbicidas. Sendo que os raticidas foram responsáveis por 39% das intoxicações na área urbana e os agrotóxicos de uso agrícola por 85% na área rural. Os mapas coropléticos mostraram a importância da notificação compulsória para aproximação das notificações confirmadas aos casos ocorridos. O estudo mostrou qual o perfil da população atingida por esse agravo e quais municípios são mais afetados pelas intoxicações por agrotóxicos. A proporção dos casos quando relacionados a área urbana ou rural mostrou porcentagens semelhantes nas áreas urbana e rural (51,8% e 48,2% respectivamente), entretanto, a incidência na área rural é 4,7 vezes maior que a urbana (200,9 e 43,1 por 100.000hab respectivamente). Os casos na zona urbana ocorrem em indivíduos com mais anos de estudo e em ambos os sexos. Na zona rural, a baixa escolaridade é mais frequente.
A tendência de aumento nas intoxicações exógenas por agrotóxicos no Espírito Santo, as diferenças encontradas nas características sociodemográficas e relacionadas à exposição e trabalho nas áreas urbanas e rurais mostram a gravidade das intoxicações exógenas por agrotóxicos. Essa caracterização é importante para estruturar políticas públicas e ações que combatam esse agravo.

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