CONSUMO DE PRODUTOS LÁCTEOS E SUA RELAÇÃO COM FATORES DE RISCO CARDIOVASCULAR EM PARTICIPANTES DO ESTUDO LONGITUDINAL DE SAÚDE DO ADULTO (ELSA-BRASIL)

Nome: Amanda Gomes Ribeiro
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 14/03/2019
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Maria del Carmen Bisi Molina Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Maria del Carmen Bisi Molina Orientador

Resumo: Evidências de estudos clínicos e epidemiológicos sugerem possíveis efeitos benéficos dos
produtos lácteos na prevenção de doenças cardiovasculares (DCV), sendo que esses achados
podem estar relacionados à associação inversa encontrada entre o consumo desses alimentos e
fatores de risco cardiometabólico. No entanto, o papel dos produtos lácteos na saúde
cardiovascular ainda permanece controverso e mais estudos são necessários, sobretudo em
países do hemisfério sul, onde a produção de estudos dessa natureza ainda é escassa. O
objetivo deste trabalho foi investigar a relação entre o consumo de produtos lácteos e
diferentes fatores de risco cardiovascular em participantes do Estudo Longitudinal de Saúde
do Adulto (ELSA-Brasil). Foram utilizados dados coletados na linha de base do ELSA-Brasil
(15.105 participantes, ambos os sexos, 35-74 anos). O consumo de lácteos foi avaliado por
meio de questionário de frequência alimentar (QFA) validado e apresentado em porções/dia.
O consumo de lácteos totais foi descrito em quatro categorias (≤ 1 porção/dia, > 1-2
porções/dia, > 2-4 porções/dia, > 4 porções/dia) e os subgrupos de lácteos (integrais, com
reduzido teor de gordura, fermentados, leite, queijo, iogurte e manteiga) foram descritos como
variáveis contínuas. Os resultados foram descritos em dois artigos originais. O primeiro
investigou a associação entre ingestão de lácteos e rigidez arterial - medida pela velocidade de
onda de pulso (VOP), e pressão de pulso (PP) (n = 12.892). Na análise de covariância
(ANCOVA), a ingestão de produtos lácteos totais foi inversamente associada com VOP e PP
(-0,13 m/s e -1,3 mmHg, entre a maior e a menor categoria de consumo). Laticínios com
reduzido teor de gordura, lácteos fermentados e queijo apresentaram uma relação inversa com
VOP e PP. O segundo artigo avaliou a associação entre o consumo de produtos lácteos e
proteína C-reativa (PCR), lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) e razão
Triglicerídeo/Lipoproteína de alta densidade (TG/HDL-C) (n = 9.372). As associações foram
estimadas por meio de odds ratios (OR), utilizando o grupo com menor consumo (≤ 1
porção/dia) como referência. Os menores valores de OR para TG/HDL-C no modelo
multivariado (0,70, IC 95%: 0,55-0,90 em homens, e 0,55, IC 95%: 0,43-0,70 em mulheres)
foram encontrados no grupo com consumo > 4 porções/dia de lácteos totais. Esses resultados foram apoiados por associações inversas encontradas entre diferentes subgrupos de lácteos e a
razão TG/HDL-C. Não foi encontrada associação entre consumo de produtos lácteos e valores
de LDL-C e de PCR. Esses resultados sugerem que os produtos lácteos, independente do
conteúdo de gordura, não apresentam efeitos adversos à saúde cardiovascular. O possível
efeito benéfico desses alimentos precisa ser confirmado por evidências de estudos
longitudinais e de intervenção que elucidem os mecanismos de efeito dos diferentes tipos de
lácteos sobre os fatores de risco cardiovascular.

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