Mortalidade de mulheres em idade fértil no Brasil: causas e tendências

Nome: Silmara Bruna Zambon Albert
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 29/05/2018
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Eliana Zandonade Orientador

Banca:

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Eliana Zandonade Orientador

Resumo: A mortalidade materna é um grave problema de saúde pública muito frequente nos países em desenvolvimento. Objetivos: Analisar o óbito de mulheres em idade fértil (MIF) no Brasil, Regiões e Espírito Santo (ES), além de descrever a mortalidade materna no Espírito Santo (ES) no que se refere a sua tendência temporal, distribuição espacial e principais causas, no período de 2006 a 2015. Métodos: Os dados utilizados são provenientes do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Brasil e ES. As principais causas de morte de MIF (10 a 49 anos) e a mortalidade materna foram divididos por capítulos da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10) e evidenciadas as mortes por neoplasias, doenças do aparelho respiratório, causas externas e mortalidade materna. Em seguida, os óbitos maternos identificados no SIM, apenas do estado do ES, foram categorizados de acordo com o perfil social e epidemiológico. Após a identificação das causas de morte pela CID-10, os óbitos foram distribuídos em grupos, conforme suas características, e classificados como morte materna direta e indireta. Além disso, foram verificadas as incompatibilidades antes e após a investigação do Comitê de Morte Materna. Resultados: As causas de mortalidade de MIF com maiores taxas foram as neoplasias (p-valor=0,004), as doenças do aparelho circulatório (p-valor=0,001) e as causas externas (p-valor=0,011). Verificou-se tendência crescente para as taxas de neoplasias no Brasil (p-valor=0,004) e nas regiões Norte (p-valor=0,012), Nordeste (p-valor=0,001) e Centro-Oeste (p-valor=0,014). As doenças do aparelho circulatório apresentaram tendência estável para a região Norte (p-valor=0,267) enquanto nas demais regiões a tendência foi decrescente. Para as causas externas, constatou-se tendências de crescimento para o Brasil (p-valor=0,011) e para as regiões Norte (p-valor=0,004) Nordeste (p-valor=0,002) e Centro-Oeste (p-valor=0,001). O ES destacou-se pelas elevadas taxas de MIF por causas externas ao longo dos anos analisados. Em relação à mortalidade materna, o ES também apresenta uma situação particular, visto que há uma tendência de crescimento (p-valor=0,043) nos próximos anos. Ao analisarmos as causas de morte materna no ES, notou-se que a média de idade em que ocorreu o óbito materno foi de 27,9 anos, desvio padrão + 7,5 e mediana= 28 anos. A maioria dos óbitos foram de mulheres pardas (57,8%), solteiras (57,4%), donas de casa (43,7%) e com 4 a 11 anos de estudo (78,1%), com predomínio das mortes no período puerperal (63,1,%). Quanto a espacialidade, as maiores das razões de morte materna por 100.000 nascidos vivos foram nos municípios de Bom Jesus do Norte (209,9), Águia Branca (175,7) e Iconha (146,3). As causas de morte mais comuns foram as relacionadas às síndromes hipertensivas (21,2%) e hemorrágicas na primeira metade da gravidez (14,9%) e complicações no puerpério (8,6%). As incompatibilidades após a investigação dos óbitos pelo Comitê de Morte Materna foram de 27,0% (90 óbitos). Conclusões: A análise das causas de óbito das MIF é fundamental para a identificação dos óbitos maternos. Recomenda-se o uso da tendência da ocorrência do óbito para identificação da necessidade de investimentos na saúde da mulher. Além disso, a análise do perfil de morte materna, da espacialidade e suas principais causas, por meio do estudo das declarações de óbito, é essencial para qualificação dos serviços de atenção à saúde materna e capacitação dos profissionais, possibilitando a redução das mortes evitáveis.

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