Comunicando o risco: um olhar sobre a epidemia de Zika

Nome: Michele Nacif Antunes
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 17/07/2018
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Adauto Emmerich Oliveira Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Adauto Emmerich Oliveira Orientador

Resumo: A comunicação de risco é definida como um processo de planejamento de comunicação de
instituições públicas para enfrentar situações de crises ou riscos, que quase sempre se tornam
eventos de mídia. Nos dias atuais, cada vez mais podem se tornar também eventos de mídia
social. E, por isso, as mídias sociais devem ser consideradas no planejamento da comunicação
diante de emergências. O objetivo desta tese é entender os aspectos que envolvem as relações
entre uma emergência em saúde pública, os meios de comunicação e a sociedade e as
instituições públicas responsáveis pela gestão do risco, tomando como eixo central o papel
das mídias sociais na sociedade contemporânea. Para lançarmos um olhar sobre a epidemia de
zika, alguns aspectos e elementos nos ajudam. Partimos dos alertas emitidos e da declaração
da emergência em saúde pública, bem como da epidemia de significações das quais a zika
está rodeada, principalmente pelo contexto de incerteza em que surgiu. Diante da sociedade
que experimenta diariamente a incerteza, tecemos breves considerações sobre o risco. Do
risco, passamos para a comunicação de risco e de emergência em saúde pública e as
influências que as mídias sociais operam nessa equação. Foram desenvolvidos quatro estudos.
No primeiro deles, foi realizada metassíntese, com a qual foram discutidos também temas
como a mídia na era da pós-verdade e os desafios que as instituições públicas enfrentam neste
contexto. No segundo, foi realizado o levantamento das principais ações de comunicação, a
partir dos documentos oficiais que abordam a comunicação de risco e do levantamento dos
altos recursos gastos em publicidade durante a epidemia de zika. Concluímos que a
publicidade, entre outras ações, foi considerada prioritária e ocupou lugar de destaque nas
estratégias de comunicação. No terceiro, discutimos a utilização do Facebook como
ferramenta de comunicação de risco das instituições públicas na resposta à epidemia de zika.
Foi realizado o levantamento das postagens das páginas do Ministério da Saúde e do Governo
do Estado do Espírito Santo relacionadas ao tema e, logo após, foram categorizadas de acordo
com o assunto abordado. Observou-se que, durante a emergência da epidemia de zika, as
estratégias utilizadas nas mídias sociais não diferem das práticas em outros meios: um convite
para o combate ao mosquito. No quarto estudo, foram analisadas as imagens que despertaram
maior interesse e maior número de compartilhamentos por parte dos internautas a partir do
dispositivo em rede Instagram. No estudo, recorremos ao ImageCloud, um aplicativo
desenvolvido pelo Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic). Em suma,
concluímos que o modelo atual adotado pela comunicação de risco e de emergências em
saúde pública aponta para a necessidade de mudanças que incorporem novas estratégias e
práticas que levem em conta os diversificados espaços, cenários, contextos e os processos
sociais existentes. Desta forma, fica a pergunta: é possível outra forma de comunicação de
risco e emergências em saúde pública no Brasil? Uma comunicação que esteja ancorada na
integração e articulação de diversos atores no enfrentamento do risco? Em busca de respostas,
apresentamos uma nova possibilidade para a comunicação de risco e emergência em saúde
pública

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