PREVALÊNCIA DE HIPOTENSÃO ORTOSTÁTICA E FATORES ASSOCIADOS
NO ESTUDO LONGITUDINAL DE SAÚDE DO ADULTO (ELSA-BRASIL)

Nome: Ana Paula Costa Velten
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 18/04/2018
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Jose Geraldo Mill Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Jose Geraldo Mill Orientador

Resumo: A Hipotensão Ortostática (HO) é uma redução sustentada da pressão arterial após a
adoção da ortostase causada por falha nos mecanismos compensatórios da redução
do retorno venoso. Em estudos de populações representativas da população geral a
HO tem sido associada a comorbidades cardiovasculares, como doença
coronariana, fibrilação atrial, hipertensão, insuficiência cardíaca, Acidente Vascular
Cerebral (AVC), rigidez arterial, doença renal crônica, além de um estado geral de
saúde debilitado e mortalidade. Apesar das associações expostas a HO tem sido
frequentemente negligenciada na prática clínica e há poucos estudos
epidemiológicos sobre o seu dimensionamento, sendo inexistentes estudos na
população brasileira. Esta tese tem como objetivo estimar a prevalência de HO e
seus fatores associados entre os participantes da coorte brasileira “Estudo
Longitudinal de Saúde do Adulto” (ELSA-Brasil). Utilizaram-se os dados coletados
na linha de base referentes aos 14.833 participantes (ambos os sexos, 35-74 anos)
do ELSA que possuíam dados completos da manobra postural. A manobra postural
foi realizada após repouso de 20 minutos na posição supina por adoção ativa da
postura ereta. A Pressão Arterial (PA) foi medida em supino e aos 2, 3 e 5 minutos
de ortostase. A HO foi definida por queda ≥20 mmHg na PA sistólica e/ou queda ≥10
mmHg na PA diastólica aos 3 minutos de ortostase. A distribuição da variação da PA
após a manobra postural foi determinada em uma subamostra (N= 8.011) após
exclusão de participantes com morbidade cardiovascular e diabetes. Os fatores
associados foram verificados por meio de um estudo transversal. As covariáveis
analisadas foram sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade, estado nutricional,
circunferência da cintura, alteração no índice tornozelo braquial, velocidade de onda
de pulso, doença cardíaca, Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)/revascularização, AVC,
diabetes, hipertensão, uso de anti-hipertensivo, PA casual sistólica e diastólica,
colesterol, triglicérides, sorologia para Chagas, presença de sintomas no teste
postural e variação da frequência cardíaca. A prevalência de HO encontrada foi de
2,0% (IC95%: 1,8-2,3), semelhante entre os sexos, com frequência crescente com a
idade (1,2% na idade <45 anos e 3,4% nos com mais de 65 anos). Se o critério for
queda pressórica em qualquer medida da PA, a prevalência se eleva para 4,3%
(IC95%: 4,0-4,7). Em presença de HO houve relato de sintomas (tontura, alterações
visuais, náuseas, etc.) em 19,7% (IC95%: 15,6-24,6) e em apenas 1,4% (IC95%: 1,2-
1,6) nos participantes sem HO. Os escores-Z -2 das variações da pressão antes e
após a manobra postural na subamostra foram de -14,1 mmHg na PA sistólica e -5,4
mmHg na PA diastólica. A HO foi significativamente associada à maior faixa etária,
OR: 1,83 (IC95%:1,14-2,95); alteração no índice tornozelo braquial, OR: 2,8 (IC95%:
1,13-6,88), IAM/revascularização, OR: 1,70 (IC95%: 1,01-2,87); relato de doença
cardíaca, OR: 3,03 (IC95%: 1,71-5,36); aumento da PA sistólica, OR: 1,012 (IC95%:
1,006-1,019); sorologia positiva para Chagas, OR: 2,29 (IC95%: 1,23-4,27) e relato de
sintomas na mudança postural, OR: 20,81 (IC95%: 14,81-29,24). A prevalência de HO
varia substancialmente dependendo do momento de aferição da pressão. Os pontos
de corte atuais adotados podem subestimar a real ocorrência de HO na população.
A presença de HO pode ser de grande utilidade como alerta de potencial
comprometimento cardiovascular, e, portanto uma ferramenta de rastreamento e
prevenção.

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