Metodologia De Gestão Do Trabalho Em Saúde E A Qualidade Da Assistência Pré-Natal E Seus Desfechos Perinatais No Município De Vitória, Espírito Santo

Nome: Gustavo Enrico Cabral Ruschi
Tipo: Tese de doutorado
Data de publicação: 27/02/2018
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Angelica Espinosa Barbosa Miranda Orientador
Eliana Zandonade Co-orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Angelica Espinosa Barbosa Miranda Orientador
Eliana Zandonade Coorientador

Resumo: A informatização da saúde e a implantação do Apoio Matricial (AM) em
Saúde da Mulher são processos normativos de trabalho adotados no município de Vitória,
Espírito Santo (ES), visando qualificar e aumentar a resolubilidade dos profissionais
inseridos no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS). Objetivos: Avaliar as
dimensões de qualidade dos dados de prontuários eletrônicos de pacientes (PEP)
gestantes acompanhadas na APS de Vitória, a influência do AM na determinação da
qualidade da assistência pré-natal e compreender seu efeito na determinação dos
desfechos perinatais adversos. Material e Métodos: Foram desenvolvidos dois estudos
transversais, com abordagem quantitativa, a partir de uma amostra representativa,
previamente calculada e selecionada aleatoriamente de prontuários de gestantes
cadastradas nas unidades de saúde de Vitória-ES, entre janeiro de 2013 e dezembro de
2014. O primeiro estudo avaliou as dimensões de qualidade dos dados do PEP (cobertura,
não-duplicidade, acessibilidade, oportunidade, clareza metodológica, completude,
consistência e confiabilidade); o segundo analisou a qualidade da assistência pré-natal a
partir do número de consultas, início do pré-natal, procedimentos clínico-obstétricos e
exames laboratoriais realizados. O terceiro estudo trata-se de um coorte com análise
hierárquica multinível de prontuários de recém-nascidos de mães acompanhadas na APS
de Vitória-ES, no mesmo período de 2013 a 2014, avaliando-se os desfechos perinatais
adversos (prematuridade, baixo peso e morte neonatal precoce). Resultados: Na
avaliação das dimensões de qualidade dos dados do PEP, a cobertura pré-natal,
considerando o início do pré-natal, foi de 80%. Mesmo com a restrição de acesso, de
oportunidade e a falta de clareza metodológica, a ficha clínica apresentou consistência e
completude excelentes nos campos de procedimentos obstétricos e exames laboratoriais.
A confiabilidade mostrou discordâncias com o Sistema de Informação de Nascidos
Vivos. Ao se analisar a qualidade do pré-natal nota-se uma queda na adequação da
assistência prestada à medida que o nível de análise se torna mais complexo. As variáveis
que mostraram associação com a inadequação da qualidade de assistência foram: ter
maior número de filhos (OR=0,63; IC95%=0,44-0,92), risco gestacional alto (OR=1,86;
IC95%=1,02-3,38) e a ausência do apoio matricial (OR=1,50; IC95%=1,10-2,06). O
modelo de análise hierarquizada inferiu que a chance de uma gravidez evoluir para um
desfecho perinatal adverso aumenta quanto maior o número de gestações anteriores (OR=4,39; IC95%=1,93-10,0) e menor o número de consultas pré-natal realizadas (OR
4,99; IC95%=2,18-11,42). Não se observou efeito do AM sobre os desfechos.
Conclusões: Há potencial do prontuário eletrônico como fonte de informação
epidemiológica sobre a assistência pré-natal. Contudo, os dados sugerem que a presença
do Apoio Matricial não influencia significativamente a completude do prontuário. Maior
ênfase no preenchimento do prontuário e integração com outros níveis de atenção é
necessária. A implantação e valorização de estratégias de reorganização dos serviços e
das práticas, como o AM são determinantes da melhoria da qualidade na assistência prénatal,
sendo necessária a ampliação do seu grau de apoio. Apesar do modelo hierárquico
proposto demonstrar determinação direta de características sociodemográficas e
obstétricas sobre os desfechos adversos, as características particulares da APS do
município de Vitória-ES reduzem os efeitos positivos do AM.

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