Fatores de risco cardiovascular em vegetarianos e não vegetarianos na linha de base do ELSA-BRASIL

Nome: Tiago Machado de Castro
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 14/06/2016
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Maria del Carmen Bisi Molina Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Márcia Cristina Teixeira Martins Examinador Externo
Maria del Carmen Bisi Molina Orientador
Nagela Valadão Cade Examinador Interno

Resumo: Os resultados da presente dissertação estão estruturados em dois manuscritos. O primeiro objetiva identificar a relação entre fatores de risco cardiovascular e dieta de indivíduos vegetarianos e não vegetarianos. O segundo trabalho aborda a relação
entre consumo de carne vermelha e resistência à insulina (RI). Há evidências do
efeito protetor da dieta vegetariana sobre a saúde, especialmente em relação às
doenças cardiovasculares, entretanto o número de estudos no Brasil que aborda
essa temática ainda é pequeno. Para a realização desta dissertação, foram
utilizados dados da linha de base do Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto –
ELSA-Brasil (2008-2010), uma coorte composta por 15.105 servidores de seis
instituições públicas de ensino e pesquisa, na faixa etária de 35 a 74 anos de idade.
Variáveis sociodemográficas, antropométricas, bioquímicas, nutricionais e o padrão
dietético foram obtidos por meio de exames padronizados e questionários validados.
Para realização do primeiro manuscrito foram identificados 378 indivíduos, sendo 57
vegetarianos (VEG), 42 pescovegetarianos (PV), 51 semivegetarianos (SV), e 114
onívoros, divididos em baixo consumo (BC) e alto consumo (AC) de carne vermelha
(CV). Para a obtenção dos grupos de BC e AC, foi realizado pareamento com o
grupo VEG, sendo considerados os seguintes parâmetros: sexo, idade, grau de
instrução e estado nutricional. Para cada participante VEG, foi alocado um
indivíduos onívoro no grupo de baixo consumo e um no grupo de alto consumo de
carne vermelha. Para a análise foram usados qui-quadrado e ANOVA a uma via.
Valores de Pressão Arterial Sistólica (PAS) e Diastólica (PAD), colesterol total (CT),
triglicerídeos (TG), lipoproteína de baixa densidade (LDL-C), lipoproteína de alta
densidade (HDL-C) não foram diferentes entre os grupos analisados. Desta forma,
não foram observadas diferenças nos parâmetros estudados, segundo tipo de dieta,
o que pode ser implicado em grande parte pela idade da população, pela intenção
da adoção da dieta e tempo de vegetarianismo. No segundo manuscrito, foram
analisados dados de 11.901 participantes, após exclusão de indivíduos que faziam
uso de medicamentos para controle glicêmico, com diagnóstico de diabetes tipo 2 e
história de evento cardiovascular. Pesquisadores têm demonstrado que existe
associação positiva entre moderado e alto consumo de carne vermelha e resistência à insulina (RI) em ambos os sexos, independente do índice de massa corporal
(IMC). O consumo alimentar foi obtido por meio de um questionário de frequência e
os valores ajustados por energia pelo método residual. Variáveis sociodemográficas,
antropométricas, dietéticas, bioquímicas e hemodinâmicas foram analisadas e
realizadas regressão linear e logística a fim de avaliar a relação entre consumo de
CV e carne branca (CB) e RI. Índice HOMA-IR (Homeostasis Model Assessment for
Insulin Resistance) foi utilizado para diagnóstico da RI. Indivíduos com índice
HOMA-IR ≥p75 apresentaram maior IMC e idade, além de maiores concentrações
de glicose e insulina. Menor consumo de CV foi significativamente associado a
valores mais baixos de HOMA-IR. Após ajuste por diferentes confundidores, HOMAIR
permaneceu significativamente maior entre os indivíduos de consumo
intermediário a alto de CV. Quando adicionado o IMC ao modelo linear, essa
diferença desapareceu. Na regressão logística, independente do IMC, RI foi
associada ao consumo elevado de carne vermelha apenas em homens. Conclui-se
que o consumo moderado e alto de carne vermelha está associado à resistência à
insulina em homens, mas não em mulheres.

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